_ Graaannde Pisquila… quanto tempo meu velho?!
_ Ora mas se não é o imprestável do Chiquinho Chulé!?
_ Imprestável não, inútil, mais respeito comigo. Como é que tá?
_ Tô indo como o governo deixa. Tá difícil mas vai melhorar, né?! E você?
_ Vou pra onde me levam. Como velho não se leva pra lugar nenhum eu fico aqui no bar do portuga deixando minha aposentadoria aos poucos para ele guardar.
_ Outro dia estava lembrando da Marina. Aquele corpinho de deusa, mãos de fada… que mãos… parece até que foi ontem.
_ Marina era aquela que vivia na lambreta do Otávio não é?
_ É ela mesmo… e o Otávio aquele panaca, vivia encerando aquela porcaria de lambreta. Você sabe que rumo teve?
_ Há um tempo fiquei sabendo que ele estava com câncer na próstata…
_ Humm!!! Nem me fale… semana passada fiz meu segundo exame. Comigo tudo certo. Mas que é constrangedor é.
_ Essa de ficar bancando machão não dá certo. Você adia o exame por conta de um dedo e depois tem que entrar na faca. Não vale a pena mesmo.
_ Por falar em dedo, você lembra do Luciano?
_ Não… não tô lembrando não.
_ O cara ia pra escola sempre cercado de meninas.
_ Aquele que o pessoal achava que era…
_ É… dizem que fez o primeiro exame de próstata aos 13 e nunca mais parou.
_ É mesmo!!!
_ É, eu sempre desconfiei do cara… apesar de andar com aquele tanto de mulher o cara era esquisitão.
_ Acho que eu tô lembrando…
_ Era um mistério a vida do cara. As opiniões se dividiam em duas correntes: Uma achava que o cara fingia para tirar casquinha das meninas. A outra achava que ele entregava o orobó mesmo.
_ Entregava o quê?
_ O orobó.
_ É um que nós vimos roubando a calcinha da Florence não é?
_ Não lembro… mas se roubou foi pra usar, só pode.
_ Será?
_ É sim, você não lembra o jeitinho que ele segurava o material quando passava perto da galera?
_ Acho que lembro… abraçava né?!
_ É dizem que era para não aparecer a marca do sutiã de enchimento.
_ É acho que eu me lembro.
_ Pois é o cara era gamadão em você.
_ Definitivamente eu não me lembro!


